A Ilha de Robinson Crusoé está localizada a aproximadamente 400 milhas da costa ocidental do Chile. É a maior de três ilhas incluindo o arquipelago de Juan Fernanda. Foi nela que em 1705 o marinheiro escocês Alexander Selkirk desembarcou depois de um desentendimento com o capitão de seu navio sendo então abandonado nesta ilha com apenas algumas roupas, uma Bíblia, uma faca, um machado e um fuzil e ali permaneceu por mais de quatro anos, antes de ser salvo por um navio.
A ilha de Robinson Crusoe é a única do arquipélago que tem uma população permanente, de cerca de 500 a 600 habitantes, localizada na vila de San Juan Bautista e seus arredores. A economia local está baseada na pesca da lagosta.
Selkirk construiu uma cabana, domesticou animais, aprendeu a caçar e com o tempo passou a conhecer cada trecho da ilha que se tornou sua casa. Assim sobreviveu sozinho até ser resgatado. Seus próximos quatro anos seriam de total solidão bem como luta desesperada para sobreviver em um ambiente hostil, numa aventura que mais tarde inspiraria Daniel Defoe a escrever seu célebre Robinson Crusoé.
A verdadeira história que cuminou no desembarque Crusoé, contra sua vontade, e ser deixado nesta ilha começou assim:
Em setembro de 1704 a pequena ilha de Juan fernandez surgiu à frente do Cinque Ports. O capitão Stradling ordenou a tripulação que ancorassem o navio na pequena baía da ilha, o que deu aos poucos homens disponíveis na tripulação algum alento em meio ao sofrimento e frustração daquela viagem infernal.
A estada na ilha foi breve, já que o capitão estava ansioso a retomar a rota. Selkirk insistiu que o navio estava condenado e que ele não via grandes chances da nau obter sucesso contra os mares revoltos e cheios de rochas pontiagudas a aflorar a superfície do oceano. Além disso, o casco já apresentava sinais de vazamentos, que tenderiam a se agravar no alto mar.
Selkirk tentou interferir como pôde nas vontades do capitão, implorando e até conclamando os membros da tripulação a permanecerem na ilha esperando socorro, mas o capitão - talvez sentindo-se ameaçado em seu papel de líder - ignorou os apelos de Selkirk.
Este se enfureceu e os dois discutiram ante os olhares estupefatos dos membros da tripulação. O capitão tomou-se de ódio e ordenou aos homens que desembarcassem Selkirk na praia com seus pertences, sua cama e a roupa do corpo e o largassem lá. E assim foi feito.
Momentos depois, a tripulação do navio subiu as velas, que se inflaram com o vento. Da praia, sozinho, Selkirk assistiu a partida de seu navio. Ao ver o navio distanciar-se, o vento frio da costa acordou Selkirk e ele desesperou-se, acenou e gritou por clemência. Implorou perdão, mas não foi ouvido. O navio partiu, sumindo no horizonte lentamente, até tornar-se um pequeno ponto e ser finalmente coberto com a névoa clara, desaparecendo da vista de Selkirk para nunca mais retornar.
A primeira coisa que ele fez foi levantar-se da areia e entrar no mato, para explorar a ilha. Esta era formada por rochas vulcânicas e tinha uma exuberante vegetação. Selkirk ficou feliz quando achou água fresca para beber, aves para fornecer carne, ameixas e verduras para proteger contra o escorbuto. Selkirk como todos os homens do mar, conhecia bem as histórias de sobrevivência. Ele sabia das aventuras de homens como Pedro Serrano, um homem que passou sete anos isolado numa ilha no Pacífico, sem água fresca. Serrano sobreviveu apenas ao beber o sangue de tartarugas, mas ficou maluco. Outros homens tinham sobrevivido durante anos com menos recursos do que aqueles oferecidos pela ilha de Juan Fernandez. Selkirk sabia o que um homem podia fazer naquela situação, e não restava a ele outra opção senão tentar.
Apesar de viver sozinho na ilha, Selkirk não ficou maluco. O tempo passou, as marés subiram, desceram, as sombras dançaram ante ao movimento do sol e ele permaneceu firme. Os espanhóis se foram e Selkirk continuou sua vida de solidão. Ele manteve a mente no futuro. Com o passar do tempo na ilha,o solitário morador da ilha descobriu cabras selvagens, que abatia ainda jovens, para se alimentar e para evitar que elas se voltassem contra ele, pois eram animais agressivos. A sua saúde nunca esmoreceu, por isso ele pôde recorrer a estas perseguições fácilmente. Um dia, a caça de um bode quase terminou com a sua vida quando ele caiu de uma falésia, deixando - “sem sentidos por três dias, tempo que ele calculava pela observação da lua. Como navegador, ele era bom nisso. ” A queda teria significado a morte certa se ele não houvesse caído sobre o cadáver do bode que perseguia.
Selkirk passou mais de mil e quinhentas noites naquela ilha. Após quatro anos e quatro meses, ele voltava para casa.Após a sua recuperação, um tipo diferente de isolamento ocorreu. Selkirk retornou à sua cidade natal de Largo, onde ele foi incapaz de se adaptar ao regime da vida diurna. Ele estava transformado. Em suas horas de desespero, ele procurou a reclusão de uma pequena gruta, em um local nas terras altas. Ele se casou, em 1717, mas logo retornou ao mar.
Em 1720, depois de um breve momento no porto, Selkirk casou-se com outra mulher sem mencionar que já era casado. Novamente, o tempo foi curto e ele acabou ingressando numa nova tripulação, junto ao navio HMS Weymouth como já havia feito.
A jornada de Selkirk terminou quando ele contraiu um vírus de gripe, que extinguiu sua vida no ano de 1721.
Como chegar na Ilha:
Para conhecer esta ilha que foi declarada reserva da Biosfera pela exclusividade de espécies de flora e fauna, existe um pacote de viagem de oito dias de permanência que incluem passagens áreas, café da manhã e traslados nas cidades. A viagem começa em Santiago do Chile com três noites de hotel e dias livres para passeios.