quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pesquisa sobre mulheres brasileiras e auto-valorização...

homem_aranha_one_more_day O que você faria se descobrisse que não sabe envelhecer? A pergunta pode parecer estranha, mas a pesquisadora Mirian Goldenberg descobriu que as brasileiras não sabem!
Ela descobriu que a cultura da juventude, da magreza e do corpo perfeito, veiculada massivamente pela mídia, obriga a brasileira a investir no corpo jovem e magro. Em outras culturas, o investimento em outros capitais é muito mais importante para a mulher.

"A partir dos dados da minha pesquisa comparativa com mulheres brasileiras e alemãs de mais de 50 anos, posso dizer as brasileiras não sabem envelhecer bem", afirma a pesquisadora. Na observação entre dois universos, as alemãs pareceram mais confortáveis com envelhecimento. "No Brasil, tenho observado um abismo enorme entre o poder objetivo, o poder real que elas conquistaram e a miséria subjetiva que aparece em seus discursos". Essa miséria diz respeito a assuntos como gordura, flacidez, decadência do corpo, insônia, doença, medo, solidão, rejeição, abandono, vazio, falta, invisibilidade e aposentadoria.

Ao observar a aparência das alemãs e das brasileiras, ela percebeu que aqui as mulheres se parecem mais jovens e estão em melhor forma, mas o que sentimos é de desvalorização. "A discrepância entre a realidade objetiva e os sentimentos subjetivos das brasileiras me fez perceber que aqui o envelhecimento é um problema muito maior, o que pode explicar o enorme sacrifício que muitas fazem para parecer mais jovens, por meio do corpo, da roupa e do comportamento. Elas constroem seus discursos enfatizando as faltas que sentem, e não suas conquistas".
Comparando os discursos, Mirian chegou a conclusões interessantes. No Brasil, segundo ela, se dá ênfase a decadência do corpo e a falta de homem é uma característica do discurso das brasileiras. "A ideia de falta, de invisibilidade e de aposentadoria só apareceu no discurso das brasileiras. As alemãs enfatizaram a riqueza do momento que estão vivendo, em termos profissionais, intelectuais e culturais", diz.

As alemãs consideram os 51 anos um momento de grande realização e possibilidades, valorizam o trabalho, a saúde e a qualidade de vida que conquistaram. Acham 'falta de dignidade' uma mulher querer parecer mais jovem ou se preocupar em 'ser sexy', além de imaturidade e infantilidade incompatível com o esperado para uma mulher nesta faixa etária. "O corpo, para elas, não é tão importante, a aparência jovem não é valorizada e, sim, a realização profissional, a saúde e a qualidade de vida. Algumas me disseram que não compreendiam por que a mulher brasileira gosta de receber elogios e cantadas na rua. Uma delas me disse uma vez: 'você mesma é que deve se sentir atraente e não precisa de ninguém para dizer se é ou não. É uma falta de dignidade ser tão dependente dos homens'".

Questionada sobre o pânico do envelhecimento, Mirian diz que numa cultura onde o corpo é um capital - mas que ter um marido parece ser ainda mais importante ainda -, é muito difícil e quase dramático, envelhecer sozinha. "Mas aprendi, e continuo aprendendo, com mulheres como Leila Diniz, Simone de Beauvoir, minhas pesquisadas alemãs e agora as brasileiras, que é possível envelhecer com menos sofrimento, se valorizarmos e investirmos em outros capitais, e não apenas no capital físico ou no marital'".

O livro "Coroas: Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade" (Ed. Record) é resultado da reflexão de Mirian sobre o envelhecimento, com base em entrevistas e grupos de discussão feitos com mulheres no Rio de Janeiro e na Alemanha. Nele pode ser encontrada ainda muita reflexão sobre a dobradinha corpo e sociedade, tema que ela estuda há
mais de 20 anos.

Por Sabrina Passos (MBPress)!

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