quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Sociologia e seu objeto de estudo

A Sociologia, através de seus métodos de investigação científica, procura compreender e explicar as estruturas da sociedade, analisando as relações históricas e culturais, criando conceitos e teorias a fim de manter ou alterar as relações de poder nela existentes.
A Sociologia deve possuir objetivos de manter relações que estabeleçam consciente ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade, num grupo social ou mesmo em grupos sociais diferentes, limites e padrões que procurem ampliar o espaço em que vivem para uma melhor organização.
Nos tempos de hoje, a sociologia não deve somente buscar compreender as ações e estruturas de uma sociedade, mas, como diria Harriet Martineau (1802-1876), esta deveria tornar-se parte da sociedade, de modo que a beneficie. Em outras palavras, os estudos e resultados da sociologia devem agregar diretamente com as atividades humanas, pois, se esta busca compreender a sociedade em si, deve também procurar um meio de melhorá-la e agir como uma ciência plena e prática. É através destas premissas que procuraremos evidenciar uma síntese generalizada da objetividade de normas e técnicas, empreendidas por alguns pesquisadores do século passado, no estudo de métodos para tentar explicar os conceitos que abordam essa tão controvertida ciência. A idéia de se dedicar ao estudo da sociedade européia não era nova, mas tão pouco era uma ciência estabelecida. Vários filósofos e economistas inclinavam-se cada vez mais ao estudo dos fenômenos sociais como determinantes em suas pesquisas. Entretanto foi somente no século XIX que esta tendência se tornou reconhecida como uma condição para o Conhecimento. Auguste Comte criou o termo Sociologia para denominar o estudo da sociedade que dava ênfase aos fenômenos sociais, suas instituições e suas regras. Contudo, sua obra não era Sociologia, era mais uma ciência sociológica, feita de muita inspiração e pouco rigor metodológico. Foi somente no segunda metade do século XIX, com Émile Durkheim, que a Sociologia realmente passou a existir, com objeto, método e objetivos claros e definidos, mesmo que de lá para cá estes tenham mudado bastante. Podemos dizer que se Durkheim não foi o “pai” da idéia, com certeza ele foi o “pai” da ciência. A Sociologia é uma área de interesse recente, mas foi a primeira ciência social a se institucionalizar. Antes, portanto, da Ciência Política e da Antropologia. Como já citamos anteriormente o termo Sociologie foi criado por Auguste Comte, que esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia. Seu esquema sociológico era tipicamente positivista, pois ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que, se a pessoa pudesse compreender este progresso, poderia prescrever os remédios para os problemas de ordem social. Comte definiu duas vertentes principais: o estudo da ordem social e o estudo do progresso social. Com base nesse principio se estabeleceu critérios para o estudo do comportamento humano e os processos que interligam o indivíduo em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela Psicologia, a Sociologia estuda os fenômenos que ocorrem quando vários indivíduos se encontram em grupos de tamanhos diversos, e interagem no seu interior. O positivismo procurou oferecer uma orientação geral para a formação da sociologia ao estabelecer que ela deveria basicamente proceder em suas pesquisas com o mesmo estado de espírito que dirigia a astronomia ou a física rumo a suas descobertas. A sociologia deveria, tal como as demais ciências, dedicar-se à busca dos acontecimentos constantes e repetitivos da natureza. Comte considerava como um dos pontos altos de sua sociologia a reconciliação entre a “ordem” e o “progresso”, pregando a necessidade mútua destes dois elementos para a nova sociedade. Para ele, o equívoco dos conservadores ao desejar a restauração do velho regime feudal era postular a ordem em detrimento do progresso. A sociologia positivista considerava que a ordem existente era, sem dúvida alguma, o ponto de partida para a construção da nova sociedade. Admitia Comte que algumas reformas poderiam ser introduzidas na sociedade – mudanças que seriam comandadas pelos cientistas e industriais, de tal modo que o progresso constituiria uma conseqüência suave e gradual da ordem. A sociologia surgiu especificamente em um momento de grande expansão do capitalismo e por isto alguns sociólogos otimistas assumiram, diante da sociedade capitalista nascente, que os interesses e os valores da classe dominante eram representativos do conjunto da sociedade e que os conflitos entre as classes sociais eram passageiros. As idéias dos conservadores eram um ponto de referencia para os pioneiros da sociologia, interessados na preservação da nova ordem econômica e política que estava sendo implantada. É entre os autores positivistas, como Saint-Simon, Auguste Comte e Emile Durkheim, que as idéias dos conservadores exerceriam uma grande influência. Saint-Simon acreditava que a nova época era a do industrialismo, que trazia consigo a possibilidade de satisfazer todas as necessidades humanas e constituía a única fonte de riqueza e prosperidade. Percebeu que no avanço que estava ocorrendo no conhecimento científico havia uma grande lacuna, nesta área do saber, qual seja a inexistência da ciência da sociedade. Admitia, mesmo tendo uma visão otimista da sociedade industrial, a existência de conflitos entre os possuidores e os não possuidores. Para Durkheim a questão da ordem social era uma preocupação constante, pois de forma sistemática procurou estabelecer o objeto de estudo da sociologia assim como indicar o seu método de investigação. Foi através dele que a sociologia penetrou na universidade, conferindo esta disciplina o reconhecimento acadêmico. Durkheim discordava das teorias socialistas atribuída aos fatos econômicos para diagnosticar a crise das sociedades européias, já que acreditava que a origem dos problemas não era de natureza econômica, mas originados na fragilidade da moral em orientar adequadamente o comportamento dos indivíduos, isto quer dizer que o indivíduo quando nasce já encontra a sociedade formada criada pelas gerações passadas, cuja organização deverá ser transmitida às gerações futuras através da educação. No período da revolução industrial o surgimento do proletariado teve uma ênfase significativa na sociedade capitalista. As manifestações de cunho revolucionário promovida pelos trabalhadores atravessaram diversas fases, como a destruição das máquinas, atos de sabotagem e explosão de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a criação de associações livres, formação de sindicatos, etc. A conseqüência desta crescente organização foi a de que os "pobres" deixaram de se confrontar com os "ricos"; mas uma classe específica, a classe operária, com consciência de seus interesses, começava a organizar-se para enfrentar os proprietários dos instrumentos de trabalho. Nessa trajetória, iam produzindo seus jornais, sua própria literatura, procedendo a uma crítica da sociedade capitalista e inclinando-se para o socialismo como alternativa de mudança. Sendo assim merece ser salientado que estas transformações colocavam a sociedade num plano de análise, ou seja, esta passava a se constituir em "problema", em "objeto" que deveria ser investigado. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações eram antes de tudo homens voltados para a ação, que desejam introduzir determinadas modificações na sociedade. Eles não desejavam produzir um mero conhecimento sobre as novas condições de vida geradas pela revolução industrial, mas procuravam extrair dele orientações para a ação, tanto para manter, como para reformar ou modificar radicalmente a sociedade de seu tempo. Pensadores como Owen, William Thompson e Jeremy Bentham podiam discordar entre si ao julgar as novas condições de vida provocadas pela revolução industrial e as modificações que deveriam ser realizadas na nascente sociedade industrial, mas todos eles concordavam que ela produzira fenômenos inteiramente novos que mereciam ser analisados. Logo podemos afirmar que boa parte dos temas abordados no estudo da Sociologia se baseia unicamente em análises e reflexões de acontecimentos e situações, como, por exemplo, a situação da classe trabalhadora, o surgimento da cidade industrial, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica, etc. O cientista social, ao estudar um determinado fenômeno, é capaz de conceituá-lo e abstraír a ponto de relacionar essa experiência ao seu modo de vida, proporcionando, em maior ou menor grau, uma reflexão crítica de sua posição na sociedade, logo os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos, já que estando intrinsecamente ligada a todas as áreas do convívio humano - desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade até o comportamento religioso -, a Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a administradores, políticos, empresários, juristas, professores em geral, publicitários, jornalistas, planejadores, sacerdotes, mas, também, ao homem comum. O conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos, podem constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida quotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. O conhecimento da realidade social deve se converter em um instrumento político, capaz de orientar os grupos e as classes sociais para a transformação da sociedade. A função da sociologia, nessa perspectiva, não é a de solucionar os “problemas sociais”, com o propósito de estabelecer o “bom funcionamento da sociedade”, como pensavam os positivistas. Longe disso, ela deveria contribuir para a realização de mudanças radicais na sociedade. Sem dúvida, foi o socialismo, principalmente o Marxista, que despertou a vocação crítica da sociologia, unindo explicação e alteração da sociedade, e ligando-a aos movimentos de transformação da ordem existente. O desenvolvimento da ciência sociológica tem como pano de fundo a existência de uma burguesia que se distanciara de seu projeto de igualdade e fraternidade, e que, crescentemente, se comportava no plano político de forma menos liberal e mais conservadora, utilizando intensamente os seus aparatos repressivos e ideológicos para assegurar a sua dominação. A sociologia passou então a ser empregada como técnica de manutenção das relações dominantes. Evidentemente, algumas tendências críticas da sociologia, principalmente as que receberam a influência do pensamento socialista, continuaram a orientar os objetivos e as pesquisas de diversos sociólogos. No entanto, esta sociologia de inspiração crítica foi, em grande escala, ignorada no meio acadêmico e marginalizada pelos institutos de pesquisa. Em geral, o apoio e o incentivo institucional em nossa época têm sido dados a sociólogos e a um tipo de sociologia que estão a serviço dos mecanismos de integração social e de reprodução das relações existentes. Não podemos deixar de enfocar que a Sociologia têm por tradição histórica descartar o fenômeno religioso ou, pelo menos, na melhor das hipóteses, colocá-lo em segundo plano ou num plano em que este fenômeno é negativo para "o bom andamento da sociedade". Karl Marx definia a religião como o "ópio do povo", aliás, ao escrever esta frase, Marx tinha como endereço as religiões dominantes de sua época que comungavam com o poder da classe dominante, nublando a noção de luta de classes por parte dos trabalhadores como uma verdadeira classe revolucionária. Mas seu propósito não era aniquilar o fenômeno religioso, mas sim os homens que apoderavam desse poder simbólico para omitir a verdadeira vocação do proletariado. Era, portanto, uma discussão entre homens e seu poder simbólico e não entre as religiões, discutindo qual ou quais seriam mais nocivas ao homem. Não apenas Marx, mas também Weber e Durkheim escreveram sobre a religião. O livro "A ética protestante e o espírito do capitalismo" de Weber e "As formas elementares de vida religiosa" de Durkheim, são consideradas umas das mais importantes referências sociológicas escritas até hoje. Inclusive há certa unanimidade entre os sociólogos em perceberem a grandiosidade do valor metodológico destas obras. Com isto podemos perceber que a sociologia e religião andam muito próximas. É certo e fundamental perceber que a sociologia não vem como uma ciência encarregada de discutir a existência ou não do sagrado, mas sim em analisar, avaliar e compreender como os homens se articula com o sagrado que acreditam. No final do século passado, o matemático francês Henri Poicaré referiu-se à sociologia como ciência de muitos métodos e poucos resultados. Ao que tudo indica, nos dias de hoje poucas pessoas colocam em dúvida os resultados alcançados pela sociologia. As inúmeras pesquisas realizadas pelos sociólogos, a presença da sociologia nas universidades, nas empresas, nos organismos estatais, atestam a sua realidade. A falta de um entendimento comum por parte dos sociólogos sobre a sua ciência, possui em boa medida, uma relação com a formação de uma sociedade dividida pelos antagonismos de classe. Não podemos perder de vista o fato de que a sociologia surgiu num momento de grande expansão do capitalismo. Alguns sociólogos assumiram uma atitude de otimismo diante da sociedade capitalista nascente, identificando os valores e os interesses da classe dominante como representativos do conjunto da sociedade. Uma das tradições sociológicas, que se comprometeu com a defesa da ordem instalada pelo capitalismo, encontrou no pensamento conservador uma rica fonte de inspiração para formular seus principais conceitos explicativos da realidade. Os conservadores, que foram chamados de “profetas do passado”, construíram suas obras contra a herança dos filósofos iluministas. Não eram intelectuais que justificavam a nova sociedade por suas realizações políticas ou econômicas. Ao contrário, a inspiração do pensamento conservador era a sociedade feudal, com sua estabilidade e acentuada hierarquia social. Não estavam interessados em defender uma sociedade moldada a partir de determinados princípios defendidos pelos filósofos iluministas, nem um capitalismo que mais e mais se transformava, apresentando sua faceta industrial e financeira. O fascínio que as sociedades da Idade Média exerciam sobre eles conferiu a esses pensadores e às suas obras um verdadeiro sabor medieval. Vamos a seguir fazer uma breve comparação dos pensamentos filosóficos e uma adequação objetiva na linhagem metodológica dos três maiores cientistas sociais do século passado que são Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber. Convém enfatizar que estes sociólogos colocaram diferentes visões de como o ser humano reage ao seu ambiente e natureza e como este encara sua realidade. Com base nas idéias desses pensadores pode-se criar uma dimensão de conhecimento sobre o que é a sociologia e seu objeto de estudo, no caso, o homem e sua natureza a qual convive. Tomando partido desse objeto devem-se levar em conta ao analisar o modo de pensar de cada um desses estudiosos, a época e o local de sua vivência, inclusive suas experiências de vida que formam seu caráter pessoal. Estes três sociólogos questionam formas diferentes de como o ser humano relaciona e absorve as atividades e desenvolvimento em relação a sua realidade de convivência: Émile Durkheim (1858 – 1917), era francês de boa família, formado em Direito e Economia, porém sua obra inteira é dedicada a Sociologia. Trazia idéias de seu predecessor Augusto Comte, mas acreditava que muitos de seus pensamentos eram vagos e de que ele não havia cumprido com o seu trabalho. Durkheim entendia que a vida social poderia ser analisada como objeto ou um evento da natureza, procurava entende-la como “coisa”, para ele a principal preocupação da sociologia é o estudo dos fatos sociais. Acreditava que as sociedades tinham sua própria realidade, que elas eram muito mais do que as ações de seus membros e que os fatos sociais são os meios de agir, pensar ou sentir e que tem sua própria realidade. Ele assumia que os fatos sociais eram complicados de ser estudado, por não poderem ser observados diretamente como um objeto qualquer que pode ser apalpado. Suas propriedades deveriam ser reveladas ao analisar os seus efeitos ou considerar suas manifestações expressivas como leis, religiões entre outros fatores de uma moral padronizada. Enfatizava a necessidade de deixar certos valores e preconceitos de lado, pois, uma postura cientifica requer uma mente aberta. Estava sempre preocupado com as mudanças de seu tempo, particularmente interessado na solidariedade e na moral. Argumentou em seus estudos que os Fatos Sociais eram os verdadeiros objetos de estudo da Sociologia, porém argumentava que nem tudo que uma pessoa faz é um fato social, para ser um fato social tem de atender a três características: generalidade, exterioridade e coercitividade. Isto é, o que as pessoas sentem, pensam ou fazem independente de suas vontades individuais, é um comportamento estabelecido pela sociedade. Não é algo que seja imposto especificamente a alguém, é algo que já estava lá antes e que continua depois e que não dá margem à escolhas. O mérito de Durkheim aumenta ainda mais quando publica seu livro “As regras do método sociológico”, onde ele define uma metodologia de estudo, que embora sendo em boa parte extraída das ciências naturais, dá seriedade à nova ciência. Era necessário revelar as leis que regem o comportamento social, ou seja, o que comanda os fatos sociais. Em seus estudos, ele concluiu que os fatos sociais atingem toda a sociedade, o que só é possível se admitirmos que a sociedade seja um todo integrado. Se tudo na sociedade está interligado, qualquer alteração afeta toda a sociedade, o que quer dizer que se algo não vai bem a algum setor da sociedade, toda ela sentirá o efeito. Partindo deste raciocínio ele desenvolve dois dos seus principais conceitos: Instituição Social e Anomia, sendo esta última caracterizada pelas divergências e conflitos entre normas sociais. A instituição social é um mecanismo de proteção da sociedade, é o conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam. As instituições são, portanto conservadoras por essência, quer seja família, escola, governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força contra as mudanças, pela manutenção da ordem. Durkheim deixa bem claro em sua obra o quanto acredita que essas instituições são valorosas e parte em sua defesa, o que o deixou com certa reputação de conservador, que durante muitos anos causou antipatia a sua obra. Mas Durkheim não pode ser meramente tachado de conservador, sua defesa das instituições se baseia num ponto fundamental, o ser humano necessita se sentir seguro, protegido e respaldado. Uma sociedade sem regras claras, sem valores, sem limites leva o ser humano ao desespero. Preocupado com esse desespero, Durkheim se dedicou ao estudo da criminalidade, do suicídio e da religião. O homem que inovou construindo uma nova ciência inovava novamente se preocupando com fatores psicológicos, antes da existência da Psicologia. Seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da obra de outro grande homem: Freud. Basta uma rápida observação do contexto histórico do século XIX, para se perceber que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas, havia muito questionamento, valores tradicionais eram rompidos e novos surgiam, muita gente vivendo em condições miseráveis, desempregados, doentes e marginalizados. Ora, numa sociedade integrada essa gente não podia ser ignorada, de uma forma ou de outra, toda a sociedade estava ou iria sofrer as conseqüências. Aos problemas que ele observou, ele considerou como patologia social, e chamou aquela sociedade doente de “Anomana”. A anomia era a grande inimiga da sociedade, algo que devia ser vencido, e a sociologia era o meio para isso. O papel do sociólogo seria, portanto estudar, entender e ajudar a sociedade. Na tentativa de “curar” a sociedade da anomia, ou seja, da ausência de regras e normas organizacionais, Durkheim escreve “A divisão do trabalho social”, onde ele descreve a necessidade de se estabelecer uma solidariedade orgânica entre os membros da sociedade. A solução estaria em, seguindo o exemplo de um organismo biológico, onde cada órgão tem uma função e depende dos outros para sobreviver, pois se cada membro da sociedade exercer uma função na divisão do trabalho, ele será obrigado a cumprir através de um sistema de direitos e deveres, e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. O importante para ele é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que realmente precise da sociedade de forma orgânica, interiorizada e não meramente mecânica. Refletindo sobre a importância da dependência entre os membros da sociedade, inúmeros estudiosos que se seguiram a Durkheim desenvolveram o que ficou conhecido como “Funcionalismo”. Creio que não é possível chegar a esse ponto sem lembrar de Marx conclamando a “união” dos trabalhadores. Uma união consciente dos indivíduos ou uma união dependente, de um jeito ou de outro, ambos se opõe ao individualismo possessivo, o que nos remete a dificuldade de convivência entre os homens. Karl Marx se concentrava em temas econômicos sempre ligando aos aspectos sociológicos, dando ênfase ao capitalismo, que, para ele, era um sistema de produção que exerce grande influência nos contrastes econômicos da história. Segundo Marx, o capitalismo era dividido em duas partes, o capital que era os bens materiais e a mão-de-obra assalariada, essa ultima representando os trabalhadores que, por não possuírem meios de sobrevivência, dependiam dos detentores do capital para o próprio sustento. Marx acreditava que o conflito de classes só tendia a crescer com o passar do tempo. O materialismo da história, segundo Marx, e as mudanças sociais não são guiados através das idéias ou dos valores humanos, mas sim, é estimulada através das mudanças econômicas. Os conflitos de classes proporcionam o socialismo pré-marxista, também denominado “socialismo utópico”, que constituía uma clara reação à nova realidade implantada pelo capitalismo, principalmente quanto às suas relações de exploração. Marx e Engels, ao tomarem contato com a literatura socialista da época, assinalaram as brilhantes idéias de seus antecessores sem deixarem de elaborar algumas críticas a este socialismo, a fim de dar-lhe maior consistência teórica e efetividade prática. Assinalavam que as lacunas existentes neste tipo de socialismo possuíam uma relação com o estágio de desenvolvimento do capitalismo da época, uma vez que as contradições entre burguesia e proletariado não se encontravam ainda plenamente amadurecidas destacando a história em estágios progressivos. Marx ainda acreditava em uma revolução trabalhista que poderia conduzir o capitalismo a formação de uma sociedade sem classes, retornando assim aos sistemas econômicos mais primordiais, pois sem o capitalismo presente a produção seria mais avançada e eficiente. Concluindo o pensamento de Marx podemos afirmar que o objetivo do pesquisador não deve se restringir à simples descrição da sociedade, mas deve analisá-la como essa realidade atual se produz e se reproduz ao longo da história. Dessa forma o cientista social pode desempenhar um papel transformador da realidade social. O mais recente entre os três até então mencionados, Max Weber rejeitava a concepção materialista da história de Marx, e considerava a visão de conflitos de classes com muito menos importância. Segundo Weber, os fatores econômicos são importantes, mas as idéias e os valores humanos exercem exatamente o mesmo impacto para a formação de uma postura social. Weber acreditava que a sociologia deveria se centrar nas ações sociais e não em suas estruturas. Diferente de Marx e Durkheim, ele não acreditava que o indivíduo era controlado pelas estruturas externas, mas sim que suas ações e idéias eram as responsáveis pelas mudanças e de que o ser humano tem a habilidade de moldar seu próprio futuro. Na visão de Weber, a sociologia deveria compreender os significados por trás dessas ações. Em sua concepção, o surgimento da sociedade moderna fora acompanhada por diversas mudanças nos modelos de ação social, pois se acreditava que as pessoas estavam se afastando das crenças tradicionais fundadas na religião, superstição, costumes e hábitos ancestrais. Weber, em seus escritos, pretendeu superar a visão materialista da história apesar de expressar sua grande admiração pelas idéias de Karl Marx, pois reconhecia que os fenômenos da vida cultural eram determinados economicamente. A refutar a visão materialista da história, Weber não pretendia substituí-la por uma visão espiritualista, já que ambas seria um mau serviço à verdade. Ele tencionava isto sim, mostrar a heterogeneidade de elementos que determinavam à existência de um fenômeno social. O papel da ciência, assim como os aspectos metodológicos pertinentes às Ciências Sociais são elementos fundamentais na abordagem da Sociologia Compreensiva de Weber. Para o autor, a vocação da ciência refere-se ao auto-esclarecimento e ao conhecimento dos fatos a partir das diferentes disciplinas que a compõem. Ele foi enfático ao afirmar que não cabe à ciência fazer previsões. “Não é o dom da graça de videntes e profetas que cuidam de valores e revelações sagradas, nem participa da contemplação dos sábios e filósofos sobre o significado do universo”. Contudo, ele afirmou que nenhuma ciência é livre de pressuposições e que as descobertas são freqüentemente ultrapassadas e superadas, cabendo ao cientista apenas a resignação diante desse fato. Para ele, a “racionalização”, a “intelectualização” e o "desencantamento do mundo" tinham contribuído para a exclusão dos valores mais sublimes da vida pública. Esses valores seriam os relacionados à fraternidade das relações humanas. Weber, ao enfocar as características do trabalho científico social, indagou em que sentido existem verdades objetivamente válidas no âmbito da vida cultural. Essa indagação se relaciona aos problemas mais elementares das ciências sociais, tais como a organização do método de trabalho, o modo de formar conceitos e a validade destes. As instituições e os acontecimentos culturais são os objetos das ciências sociais em geral, e particularmente da Sociologia. Esta ciência, nos seus primórdios, não fazia uma distinção entre o conhecimento do ser e do dever ser, pois partia-se do pressuposto de que os fenômenos econômicos eram regidos por leis invariáveis e possuíam um desenvolvimento homogêneo. Por fim a Ciência Social concebida por Weber tem como proposta ser uma ciência da realidade. A compreensão desta deve levar em conta dois aspectos: as conexões e a significação cultural de suas manifestações, assim como as causas de seu desenvolvimento histórico. O autor defendeu a idéia de que apenas um fragmento da realidade pode ser objeto de compreensão científica, o que não impede que a realidade seja apreendida no seu contexto universal. Se se levar em conta a idéia de racionalização, esta desbanca outra idéia defendida por ele, que é a do indivíduo ser livre para moldar seu próprio futuro, pois, se ele se deixa certos valores que mexam com seu emocional, a fé, por exemplo, para concentrar-se em metas sistemáticas, logo, ele deixará também essa liberdade para adequar-se ao seu quadro social atual, voltando assim na concepção de Durkheim e Marx. Sendo assim Weber temia que no futuro a sociedade moderna se tornaria um sistema que esmagaria o espírito humano ao tentar regular toda a esfera da vida social.
Para concluir podemos afirmar que a Sociologia, através de seus métodos de investigação científica, procura compreender e explicar as estruturas da sociedade, analisando as relações históricas e culturais, criando conceitos e teorias a fim de manter ou alterar as relações de poder nela existentes.
A Sociologia deve possuir objetivos de manter relações que estabeleçam consciente ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade, num grupo social ou mesmo em grupos sociais diferentes, limites e padrões que procurem ampliar o espaço em que vivem para uma melhor organização.
Nos tempos de hoje, a sociologia não deve somente buscar compreender as ações e estruturas de uma sociedade, mas, como diria Harriet Martineau, esta deveria tornar-se parte da sociedade, de modo que a beneficie. Em outras palavras, os estudos e resultados da sociologia devem agregar diretamente com as atividades humanas, pois, se esta busca compreender a sociedade em si, deve também procurar um meio de melhorá-la e agir como uma ciência plena e prática.
Autor: Maria das Dores C.Mesquita (Trabalho de Especialização) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAX WEBER, Introdução à 2ª edição portuguesa por Paulo Ferreira da Cunha Fundamentos da Sociologia. Porto – Portugal, 1983 Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979 COHN, G. Crítica e resignação: fundamentos da sociologia de Max Weber. São Paulo: T.A. Queiróz, 1979 O que é Sociologia Carlos Benedito Martins Editora Brasiliense

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