Frase do Mestre Leonardo Da Vinci : " O pintor deve abranger todas as coisas. Ó artista, que a variedade do teu trabalho seja infinita como os fenômenos da Natureza."
A mente do homem tem se tornado especializada no fragmento, nas atividades da estreiteza e da limitação. Diante da fragmentação e da abstração, tanta incapacidade de ver a vida por ângulo mais abrangente.
E a medicina atual está repleta de especialistas, especialistas que são incapazes de perceber o paciente com um todo. Vivem para suas especialidades, ocupação de cérebros condicionados no fortalecimento da ineficiência. Mas a capacidade humana só possui maior significado quando a mente penetra na compreensão global da vida.
Em exemplo, sabe-se como controlar a natalidade no mundo para que não falte recursos para todos, mas não o fazem. Sabe-se como é possível por fim à guerra e aos conflitos, mas nada fazem. Assim, pois, sabem bastante, mas espiritualmente preferem continuar verdadeiros trogloditas.
Os problemas que se apresentam em nossa sociedade atual não podem mais serem resolvidos pelos políticos ou pelos chamados "especialistas" da ciência e tecnologia. Existem até especialistas oferecendo complexos planos de ação, mas já está mais que provado que não ações não estão trazendo soluções concretas, pois são tantas mentes agindo sem escrúpulos. Somente a compreensão do processo total do homem, sem falsidades e hipocrisias, poderia realmente trazer alguma eficácia. Os especialistas atuais vivem apresentando soluções para tratar dos problemas sociais - mas sempre numa visão parcial - por isso a ineficiência já cansada de ser comprovada.
Assim, cada vez mais incapazes de compreenderem a si mesmos, os homens vão se tornando especialistas em alguma coisa. E é isso que o modernismo radical vem procurando condicionar na mentalidade da multidão. Ora, será que precisamos restringir nosso processo de pensar ? Por ser artista não estaria capacitado para falar sobre ciência ou sociologia sem precisar ostentar algum título de mestrado nestas áreas ?
Um grande observador cria uma espécie de reservatório do saber. Escrevo sobre a própria psique humana, que tem acumulado tantos conceitos, idéias e experiências, mas que parece não se interessar mais em colocá-las em prática. Elas vão se deixando aprisionar em alguma espécie de fragmentação periférica, perdendo a movimentação da totalidade.
Certa vez uma associada me perguntou : "- Pode o conhecimento tornar o homem realmente um ser livre ?"
Percebam que o conhecimento abrangente, sem ser bitolado ou especializado em apenas único foco, concede muita clareza à mente do homem. O que acontece é que quando um grande cientista, músico, artista, escritor, etc... abrange os horizontes além das limitações que a sociedade impõe, ele encontra o caminho da liberdade porque simplesmente acaba iniciando uma espécie de movimento CRIADOR, mas para dar continuidade em seu processo criativo precisará combater ( constantemente ) inúmeros preconceitos e invejas.
A criação é algo que se encontra muito além das limitações fragmentárias, e no processo criativo da totalidade existe a compreensão da REALIDADE ... isso significa tornar-se LIVRE.
Consideremos a questão sobre outro ponto de visão. Certas imposições são tão sutis que levam inúmeras pessoas a construir uma muralha ao redor delas mesmas, uma espécie de condicionamento que reflete euforia e frenesi, e acabam confundindo isso com felicidade. É por isso que aponto a tal "felicidade" que tanto é proclamada como algo merecedor de desconfiança. Estas ditas "felicidades" parecem significar mais uma espécie de proteção psicológica ... um anestésico às mentes que as impedem de perceberem a realidade circundante. Mentes oprimidas pelas propagandas da falsa felicidade são incapazes de mostrar seus próprios sentimentos, suas próprias frustrações e compreender as neuroses criadas no seio da própria família. Elas possuem medo de serem rejeitadas, de serem colocadas à margem do grupo de amigos por se tornarem enfadonhas, etc... Elas se transformam numa espécie de personagem, vestem suas "personas" - encaixam suas máscaras - e seus verdadeiros semblantes acabam se tornando desconhecidos para elas mesmas. Eis aí o grande "Teatro do Absurdo". Como pode haver amor sincero em tantos artificialismos e fingimentos ? O amor de uma mãe por seu filho não pode ser medido por aquilo que ela diz, mas através das atitudes ... e é o que falta em nosso meio ... AMOR nas atitudes.
Um filho pode deixar de sentir amor por pais que foram egoístas ou negligentes. E quando conseguem transcender o trauma através de maior consciência - conquistam a liberdade definitiva - pelo que muitos apontam como indiferença; mas o mesmo não pode ser aplicado diante da atual política em nosso país.
Por Arnaldo Quintella




































